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segunda-feira, 6 de março de 2023

Fenómeno da aculturação em relação às questões de género



Fenómeno da aculturação em relação às questões de género



Trata-se de uma breve abordagem aos movimentos que algumas mulheres em alguns países ocidentais têm vindo a levar a cabo. Logo seguida de um comentário sobre o fenómeno da exclusão social numa perspectiva de género e no final farei uma breve análise do que entendo por aculturação no que se refere à problemática de género nas sociedades ocidentais.

A forma como as mulheres mostravam e expressavam a sua revolta face á marginalização e discriminação a que estavam sujeitas, de direito e de facto, a sua situação na família, no trabalho, na política e, em geral, na sociedade deu-se o nome de movimento feminista.

Há cerca de100 anos atrás, a luta de algumas mulheres menos conformadas com a sua sorte, dirigiam as suas, reivindicações sobretudo, para a elaboração de leis que pusessem termo às discriminações do foro jurídico e que assegurassem ás mulheres os direitos que lhe eram vedados (direito ao voto, á autonomia na celebração de contratos, á educação, acesso ao trabalho, á igualdade de remuneração, etc.).

A este tipo de atitude baseada em reivindicações de direitos, seguiu-se uma outra que apontava essencialmente para a necessidade de criar condições de igualdade de oportunidades aos dois sexos. Pretende-se com isto dar um passo para uma sociedade paritária, pretende-se pôr definitivamente em causa a neutralidade ou ausência de políticas em relação ao género, ou seja deixa-se de ver no masculino o modelo único que engloba em si os dois géneros. O masculino e o feminino.

Trata-se assim de fazer com que as políticas e directrizes governamentais incluem de forma consistente e consequente, a perspectiva de igualdade de género em todas as políticas correntes, no entendimento de que estas sempre se dirigem a pessoas concretas, isto é, a mulheres e a homens, e não a entes abstractos.

Esta abordagem facilita não só a questão da igualdade de género mas também a concepção de democracia no seu sentido de representatividade de todas as cidadãs e de todos os cidadãos que compõem a sociedade.



Democracia plena e participativa

Como é do conhecimento comum, existe hoje em dia uma crise da democracia política, tal como esta vem sendo construída e praticada nos países capitalistas de economia avançada.

Vários indicadores, como o absentismo elevado em actos eleitorais e a fraca participação dos (as) cidadãos (as) na vida política, até ao cepticismo e desconfiança com que hoje é olhada a classe políticas par disto assiste-se ao enfraquecimento do poder dos políticos face ao poder dos media e/ou poder económico, cada vez mais globalizados.

Neste contexto de desinteresse generalizado, é cada vez mais reprovável que uma das metades (metade feminina) continue, na prática, arredada do exercício do direito e do dever da cidadania, que se traduz na representação e participação no processo de decisão política.

A marginalização ou exclusão das mulheres da vida política corrói as bases da própria democracia. Em primeiro lugar, porque, prescinde, quase sem consciência, da participação de metade da sociedade, a sua população feminina, desprezando, assim, parte considerável do conjunto de recursos humanos.

Um grupo de trabalho criado pelo conselho da Europa considerou.

“ É bem evidente que a vontade política necessária à perspectiva integrada da igualdade de género não se obterá sem uma participação real das mulheres na vida pública, e nas tomadas de decisão. É pois essencial que um grande número de mulheres encontrem o seu lugar nessas instâncias, que as suas vozes se façam ouvir em cada decisão, afim de assegurarem que os seus diferentes valores, interesses e modos de vida sejam devidamente tidos em conta”

consultoria em serviço social

Outro assunto que não deixaria de fazer referência nesta dissertação é à do fenómeno de Feminização da pobreza.

Dentro dos grupos afectados pela exclusão social e pela pobreza, uma grande parte é precisamente constituída pelas mulheres.

Existe uma relação especial entre mulheres e pobreza, isto é, que para além de mecanismos mais gerais que afectam igualmente os homens e as mulheres, há mecanismos mais específicos que levam as mulheres à pobreza que as tornam mais vulneráveis. Manifestações destes mecanismos específicos são observáveis nas áreas do emprego, da educação/ formação profissional, da família, da saúde, tal como da habitação.

O termo aculturação pode-se de certo modo aplicar a este fenómeno do género, na medida em que os domínios do feminino e do masculino que de geração em geração estavam abstractamente bem definidos, “ o homem na praça, a mulher na casa”. Nos nossos dias existe uma zona bastante alargada em que se verifica nos dois géneros aculturação em áreas anteriormente pertencentes unicamente a cada um deles.

O espaço privado, que era visto essencialmente como um espaço ocupado pelo feminino torna-se cada vez mais dividido e partilhado por ambos os sexos. Assim como o espaço público que durante séculos foi ocupado pelos homens está progressivamente ao longo das últimas décadas vindo a ser ocupado pelo sexo feminino.

Digamos que o termo aculturação tem a ver com esta situação de transferências de espaços, público e privado, e na sua distribuição e redistribuirão entre o feminino e o masculino.

As lutas pela concretização de ideais são sempre difíceis e por vezes violentas. As mulheres e os homens ocidentais entraram no séc. XXI com contextos e comportamentos sociais em profunda transformação. Únicos no decorrer da evolução do conhecimento e da prática humana.


Há que continuar a lutar por mantê-los e dar-lhes firmeza e consistência, pois dessa luta depende o ideal democrático que nos move e irá condicionar a vida das nossas filhas e filhos.


Ana Ferreira Martins


Intervenção realizada com base num artigo escrito por Maria de Lurdes Pintassilgo no âmbito de um grupo de trabalho criado no Concelho da Europa.


consultoria em serviço social

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